primeira pessoa | melech mechaya

20 08 2008

O 13ª arte bateu à porta dos Melech Mechaya. Eles têm espalhado a sua música festiva pelo país e não deixam ninguém indiferente. O resto… o resto é conversa:

Alexandre Quinteiro: Na viagem Melech Mechaya muitas são as escalas para abastecimento. Como são as salas de espera?
Miguel Veríssimo: Não há salas de espera, a viagem só pára à chegada (por norma suada e sorridente)!
João Sovina: Arejadas
Francisco Caiado: Normalmente são estações de serviço!

André Santos: Normalmente estamos atrasados por isso não temos salas de espera…

João Graça: Não há tempo para isso. É chegar, abastecer e partir para outra festa.


AQ: A música será sempre, apenas, um prazer?
MV: A música é muitas coisas, e no nosso caso o prazer é uma constante.
JS: Nop, é uma comichão, uma saudade, uma empreitada, um bocejo, um sorriso, um (des)prazer, um sofrimento, uma comédia, às vezes um silêncio… Ou um forte odor!
FC: A música é a celebração de sentimentos e sensações… O prazer é apenas um deles.

AS: Sem prazer não há música.

JG: O prazer é a materialização de um árduo trabalho. Se assim não fosse não haveria prazer.

AQ: Lançado o EP esperam atingir maior notoriedade e alcançar airplay?
MV: O EP tem, sobretudo, dois propósitos: primeiro o de podermos dar às pessoas que nos vêem uma maneira de nos poderem ouvir fora dos concertos; segundo o de podermos divulgar a nossa música noutros meios que não os concertos – já tivemos algum airplay e já houve algumas críticas ao EP. Portanto, e resumindo: sim!
JS: Sobretudo ouvirmo-nos com outros ouvidos, e… ficar ”extremamente ricos”!
FC: Queremos acima de tudo divulgar a musica que fazemos e se possivel pagar os custos que o EP teve!

AS: O EP acaba por ser o primeiro registo oficial dos Melech, não espero atingir maior notoriedade ou alcançar mais airplay, apenas ir marcando cada fase da vida do projecto que vivemos.

JG: Maior notoriedade sim, afinal queremos partilhar o nosso projecto com o público. O EP é um ponto de partida, apenas.

AQ: A vossa música é bastante diferente daquilo a que a maioria dos portugueses está habituada. Isso é um factor positivo ou negativo?
MV: Na quase totalidade das vezes é um factor positivo. Apesar de diferente e – para muitos – novo, as pessoas sentem-se quase sempre contagiadas e com vontade de dançar, e mostram-se positivamente surpreendidas.
JS: É ”uma faca de dois legumes”…
FC: Acho que a diversidade é sempre positiva.  Permite expor realidades de outra forma ocultas e isso parece-me extremamente necessário em qualquer projecto musical. Por isso sim, ainda bem que não estão habituados a nós.

AS: Ambos… É positivo pois o factor surpresa joga a nosso favor. Negativo porque nem sempre o público está habituado a este tipo de concertos e fica meio tímido…

JG: A energia da música klezmer sente-se precisamente aqui. Um público que a desconhece agarra-a sempre em todos os espectáculos. A novidade é uma coisa boa.


AQ: Melech Mechaya e Klezmer. Dois conceitos? Em português…
MV: Conceitos? Mas… Nós temos conceitos? Klezmer é o nome do estilo de música que tocamos, embora também toquemos na música cigana, fado, tango, jazz, flamenco, etc. Agora conceito é que não estou a ver…
JS: Alegria/Vida e Música… Ou bate o pé e mexe-me na saia… “- Áiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii tira a mão daí, aleijaste-me…”
FC: Melech Mechaya é um termo hebraico que significa os reis da alegria/vida. Klezmer é um estilo musical de origens judaicas no qual buscamos muitas das nossas influências.

AS: Está respondido.

JG: Onde quer chegar?


AQ: Miserlou…
MV: Música tradicional grega, cuja versão do Dick Dale ficou popularizada no Pulp Fiction do Tarantino. Nos Melech é conhecida como “Lúcia”.
JS: ÓOOOOOO GRAÇA!!!!!!!!!!!!!!!
FC: pum papa pa pum papa pa!
JG: (levanto e cabeça, olho para o Sovina e… Trémulo!)
AS: Está respondida também!

AQ: Sei também que já deram concertos fora do território português. Qual é a sensação de actuar perante um público dissemelhante do nosso? Qual a reacção dos espectadores?
MV:
A pouca experiência que temos dá-nos a entender que o público português é mais entusiasta e extrovertido, e dá muito a quem está em cima do palco. Sempre que tocámos lá fora sentimos que o público gostou bastante, mas que exteriorizam de maneira diferente.  De referir que o facto de a nossa experiência “além-fronteiras” se resumir, actualmente, à Galiza, confere a toda esta resposta um nível de credibilidade bastante reduzido.
JS: Existem muitos públicos portugueses… Alguns mais estrangeiros que outros…
FC: Acho que cada público de cada concerto é único… Os galegos apenas falam de maneira mais esquisita!

AS: A sensação de tocar fora de Portugal foi fantástica pelo simples facto de sentir que cada vez vamos mais longe com a música que fazemos. No entanto só tivemos 3 actuações fora de Portugal, acho que é precoce avaliar já o público, pois cá já tocamos imensas vezes e tivemos públicos de todo o tipo, feitios e cores.

JG: Espectacular. Sinto que levo a bandeira para o palco. É uma responsabilidade ainda maior. Não somos só os Melech, somos um grupo português. Mas tem corrido sempre bem, o público corresponde.

AQ: Há alguma situação caricata que queiram partilhar com os leitores?
MV: Hum… Assim de repente vem-me à cabeça as galegas a beijarem-nos os vidros da carrinha e a gritarem “Casa-te comigo, cabrón!” para o André!
JS: No outro dia vi um pombo a atravessar a passadeira!  Parei e dei-lhe passagem…
FC: Obrigado João pela partilha… Epá sim, por exemplo já tivemos um cão a atacar uma rapariga durante um concerto em Évora! Que amor de bicho…!

AS: Já tivemos um bêbedo à frente do palco a refilar que queria ouvir era o bailarico e ao mesmo tempo roubava-nos as cervejas que estavam em palco para nós (oferta de um amigo do publico).

JG: Nos Açores um bêbedo, que antes tinha ido à mesa do técnico de som dizer que o nosso concerto não prestava, foi para a frente do palco dançar e roubou a minha imperial que tinha junto a um monitor. Foi na última música. Para além de queixinhas, era larápio!

AQ: O que sente a banda ao subir ao palco? De que falam e o que pensam no backstage (quando existe…)?
MV: No último concerto senti comichão nas costas.
JS: Uma aragem nas redondezas! E um medo terrível que a cerveja acabe ou o bar feche…
FC: Normalmente rezamos para que nenhum de nós tenha um pequeno AVC na primeira música, é muito importante não falhar na primeira…

AS: Eu sinto que ainda tenho o jantar as voltas na grande pança. O que falamos? Hum… “Graça despacha-te…”!

JG: Miguel, ensina-me a fazer o nó da gravata, é a última vez, prometo… (Digo sempre isto!)

AQ: Tony Madley disse que “Fazer discos e dar espectáculos vicia como uma droga”. Sentem isso?
MV: Tocar ao vivo vicia, sem dúvida. E quanto melhor correm os concertos e maior resposta temos do público mais vontade temos de repetir!
JS: Quem!?
FC: Vicia e cansa!

AS: Eu se estou um fim-de-semana sem tocar fico rabugento. Quando acabo de gravar algo já só penso em gravar algo novo. Respondi?

JG: Fazer discos nem por isso. Mas espectáculos sim. É um pulso de adrenalina que sobe corpo acima. É inevitável que vicie.

AQ: Como atentos e ávidos consumidores de música (como suponho que sejam), que lançamentos actuais vos despertam maior interesse (tanto no espectro nacional como internacional)?
MV:
Eu estou muito curioso em relação ao próximo dos Franz Ferdinand, por exemplo.
JS: Eu estou numa de Rui Veloso… Vá se lá saber porquê!
FC: Foge foge bandido do Manuel Cruz

AS: Eu estou sempre ansioso que saiam novas coisas de Flamenco e ciganada… No espectro nacional o projecto Sal deixou-me a acreditar que se faz boa música no nosso país (apesar de nem sempre ser reconhecida).

JG: Estou mais atento às músicas do mundo. Novo cd de Mariza, Camané, Toumani Diabaté, Mayra Andrade…


AQ: Para concluir, o que diriam a quem pegasse no vosso novo EP e o colocasse pela primeira vez na aparelhagem?
MV: Estás prestes a cometer o maior erro da tua vida!
JS: Já pagaste!?
FC: Respira fundo…

AS: Não aceitamos trocas nem devoluções!

JG: Foste enganado…


AQ: Bem, chegámos ao fim. Agora só tenho que agradecer imenso a vossa colaboração e disponibilidade para esta entrevista. Obrigado e até breve!
MV:
Ora essa, até breve e muita força para o 13arte!
JS: Mas quanto é que recebemos pela entrevista?!
FC: Muito obrigado pelas perguntas!

AS: O prazer é todo nosso.

JG: Obrigado e sucesso.

Exclusivo 13ª Arte por Alexandre Quinteiro





X-Cons – Video de estreia

15 08 2008

Os portugueses X-Cons encontra-se em fase de preparação para a gravação do seu video de estreia, do tema “Far Away” do seu recente álbum “Pride of the free”, com selo Infected Records.

Será concerteza um video a ter em conta, desta promissora banda portuguesa, que tem vindo a dar que falar, cada vez mais e tem mostrado, a quem ainda duvidava, que a música em Portugal está em decadência.

Entretanto, a banda acompanhará os Strike Anywhere no seu regresso a Portugal, dia 19 de Setembro, no Music Box em Lisboa. Quem puder, não perca!

Para mais informações ou datas, fica o myspace.





Underworld – O fim

15 08 2008

Underworld, uma das revistas de música mais conhecidas em Portugal, anuncia o seu fim. Temporário.

A revista de distribuição gratuita que tem vindo a promover a música nacional ao longo dos anos, entra então numa pausa de tempo indefinido. Fica o comunicado:

“Caros Amigos,

É com pesar que nos dirigimos a todos para comunicar que o Underworld – Entulho Informativo vai suspender as suas actividades por tempo indeterminado.

Foi uma decisão difícil mas inevitável no contexto de crise que atravessamos, pelo que entendemos preferível parar a baixar o nível qualitativo que sempre procurámos elevar a cada nova edição.

Não adianta dissecar todos os motivos que nos levaram a tomar esta decisão, apenas referir que a intenção passa somente por deixar a porta encostada, não a fechando completamente. “Melhores dias virão.

O Underworld sempre foi um trabalho de paixão, a partir do qual nunca retirámos qualquer dividendo que não fosse o prazer que nos deu fazê-lo ao longo destes anos. Apesar de todos os altos e baixos, olhamos para trás com orgulho por tudo o que alcançámos (desde 1994) apenas com o nosso esforço e sem cedências de qualquer espécie.

Resta-nos agradecer o apoio de todos os que tornaram possível este sonho, e criaram a identidade muito própria que é o UW, delineado em toalhas de papel manchadas de cerveja por vários restaurantes em Lisboa, desde bandas, editoras, anunciantes, promotores, ilustradores, nunca esquecendo todos aqueles que, de forma abnegada, nos ajudaram a fazer chegar revistas aos locais mais recônditos do país.

Fica a faltar uma palavra especial para a nossa equipa de colaboradores mas, para esses, já nos faltam as palavras. Muito obrigado a todos.

Um abraço e até sempre,

Ricardo Amorim | Editor “

Do fundo do coração, desejo que as coisas se resolvam e que possam voltar em breve, ainda com mais força e com a qualidade a que já nos habituaram!

Para quem não conhecia o seu trabalho, fica o myspace.





Em cartaz | Loulé

11 08 2008





Em cartaz | Em Faro

11 08 2008





Matt Track – Do Canadá para Portugal

11 08 2008

Matt Track. Já algum de vocês ouviu falar?

Se não, não tenham vergonha de o dizer, porque pessoalmente, eu nunca o tinha!

No entanto, o conhecimento nunca é demais, e descobri aqui um bom artista para as tardes de verão passadas na praia com os amigos e resolvi partilhá-lo com vocês.

Até porque, para além do bom e agradável som que pratica, estará por Portugal ainda este mês, pelas mãos da Infected Records .

Essencialmente focado no acústico, este jovem, lançou em Fevereiro o seu álbum (penso que o primeiro, mas não consigo ser precisa neste momento) Main Dish.

Como tal, e pela primeira vez em Portugal, cá está ele para o apresentar.

Quem gostar, dê um pulinho nos concertos (algumas datas ainda não estão definidas, pelo que se alguém souber de algum local, contacte a Infected sff).

Matt Track Myspace